Depoimentos

Prem Subali, 27 anos, mestranda e pesquisadora

Viver na comunidade é amizade, descoberta, criação. Tudo é novo todo dia: compartilhar os dias com dezenas de pessoas que vivem comigo, conhecer a história de cada um, pintar as janelas de uma casa em forma de trem, subir sobre ela pra ver o sol se pôr do terraço, dar oficinas para as crianças e aprender com elas, meditar junto, ver de novo o céu imenso que se abre à noite, voltar pra o dormitório e dividir a casa com meus amigos. A gente faz teatro, gincana, reúne, medita, chora, constrói, briga junto… e é capaz de criar cada coisa mais linda porque nossa energia tá aí pra criar, pra doar, pra querer muito mais. Aqui, eu convivo com gente que me chama pra crescer, pra confrontar, pra ajudar e ser ajudada. Em cada pedaço do sítio eu encontro uma outra história, um abraço, um afeto. E me encontro. Vivo com gente que me lembra tudo que posso ser e que quer mais de mim. Quando vejo o quanto cresci vivendo aqui, o que sinto é amor – e não tem palavra que dê conta de dizer. Minha casa é lugar de amar.

Satyam Jemima, 40, artista plástica e massoterapeuta ayurverda

Morar na comunidade para mim é um grande desafio, viver com um monte de pessoas diferentes. Eu era solitária, aparentemente era social, mas no fundo era sozinha e aqui sou obrigada a conviver com 55 pessoas, mais ou menos. E olha, muitas vezes quero me esconder, mas depois de um tempo não rola mais, é impossível, não tem escapatória, ainda bem! Nas reuniões vêm à tona questões de cada um, desde grana a relacionamento. Me espelho no outro e isso me ajuda a crescer um monte, me ajuda a me enxergar e enxergar o outro com outros olhos e com compaixão. E me perdoar sem acomodar. Aqui é uma escola de reaprender a ser humano, de reconexão com meu coração, minha criatividade (a qual deixei abandonada por vários anos e a qual é a minha grande paixão), de me relacionar com outros e de viver a minha sexualidade de uma forma natural e conectada com o coração. A gente faz juntos coisas maravilhosas e com muito amor porque buscamos dentro de nós e encaramos nossas dificuldades.

Prem Avkash, 29, produtor audiovisual 

Morar na Comunidade é um presente. Não conheço qualquer lugar no mundo que lute tanto pelo ser humano, como aqui. Estou cercado de amigos que amo e que me amam. Que querem o melhor do meu ser, que não toleram pouco, que não aceitam a mediocridade, que dizem não a miséria. Com tanta loucura pelo mundo, esse é um espaço que me permite estar consciente de mim. E a qualquer momento de resistência em enfrentar os meus medos, outras pessoas me apoiam, e me ajudam a enxergar do que fujo. Aqui tenho o apoio pra ir adiante, pra ir além. Amo esse lugar!

Prem Kranti, 40, cantora e compositora

Eu conheci a comunidade quando vim participar da gincana Namastê na virada de 2009 pra 2010. Tudo o que acontecia naquela gincana na Comunidade Osho Rachana era tão mágico e tão vibrante que parecia que eu estava em um mundo paralelo, mas toda essa energia poderia ser só por causa da gincana e depois tudo voltasse ao “normal”. Ainda fiquei na Comunidade quase dois messes depois desse evento convivendo no dia a dia do sítio e vi que toda aquela vida vibrante fazia parte do cotidiano daquelas pessoas. Foi daí que eu decidi: “venho morar aqui nesse lugar!”. Voltei pra Belém/PA pra arrumar minhas coisas e fechar o que precisava lá e 3 messes depois eu estava de volta, de malas e cuia! Naquele momento eu tinha 34 anos. Hoje eu tenho 40 anos, sou cantora, compositora e formada em Letras, moro na minha Comunidade há 6 anos e só aqui eu pude viver o verdadeiro sentido da amizade, do compartilhar, do crescimento e especialmente do amor. Na nossa comunidade estamos todos juntos, pro que der e vier! A gente se importa uns com os outros, medita juntos, cresce juntos, chora juntos, ri juntos, briga um monte também, mas sempre pra que venha à tona o melhor de cada um. Só aqui eu consegui enxergar o meu melhor, o que eu tenho de mais lindo, porque os amigos com quem eu moro me ajudaram a me ver. Porque aqui todos querem ver aflorado o melhor um do outro e por que aqui é um lugar de constante transformação, criação de amor. E o amor só cria coisas maravilhosas e abundantes. Por isso pra mim o melhor lugar do mundo é a Comunidade Osho Rachana, o lugar onde eu posso ver, sentir e criar as coisas mais lindas junto com as pessoas mais maravilhosas desse mundo. O lugar onde não se deixa um amigo na mão, de jeito nenhum! O lugar mais cheio de cor e sabor que existe, mais vivo e vibrante. Acredite, ninguém vive o que a gente vive aqui é inexplicável, só quem mora na Comunidade Osho Rachana pode saber do que eu estou falando. Só aqui eu pude saber e sentir o que é amor de verdade e como diz a música, “Inca maia pigmeu, minha tribo me perdeu quando entrei no templo da paixão”. A Comunidade é um templo da paixão, é meu templo da paixão.

Sérgio Akash, 35 anos, sócio diretor da Zarabatana Digital 360 

 Viver em comunidade é um desafio e um êxtase. Desafio, pois sentir é um desafio, ser realmente verdadeiro consigo mesmo e com os outros é um desafio, amar e ser amado com profundidade é um desafio. Encarar os confrontos, os conflitos e crescer é um desafio. Não deveria ser assim, mas é! É, porque cresci num ambiente individualista, político e competitivo, onde a imagem abre muitas portas, onde “o que você é?” prevalece sobre “quem você é?”, onde a razão prevalece sobre a emoção e assim faz a gente confiar mais na cabeça do que no coração. A vida em comunidade me proporciona todo o outro lado disso. Ela me ajuda a enxergar quem realmente sou, tanto meu lado negro, quanto minha beleza. Aqui tenho amigos que realmente se importam com minha vida, que me enxergam, que brigam comigo quando necessário, que vibram com minhas conquistas, que choram minhas dores, que compartilham a abundância e os momentos de prazer, que me apoiam, que são REAIS… Reais no que sentem, no amor, na raiva, na dor, no tesão. Sou pai de uma menina de 5 anos, ver minha filha crescer aqui, aprender sobre a vida, se relacionar com outras crianças e um monte de gente bacana, ver a alegria dela e a liberdade que ela está vivendo, me dá paz no coração. Essa dose de realidade que a comunidade me proporciona é a vida. Viver aqui na comunidade Osho Rachana, pra mim é isso: VIDA.