Ejaculação precoce: lidando de verdade com meu corpo

Tempo de leitura: 10 minutos


Desde o começo tive ejaculação precoce

Durante toda a minha adolescência tive ejaculação precoce e sabia disso. A duração da minha transa era de 5 minutos, no máximo! Nesse período, transei poucas vezes: uma com 15 anos, que durou um minuto, e a segunda vez foi aos 16 anos, que já durou o dobro da primeira. Aos 17, comecei a namorar porque era uma forma de transar mais. Eu tinha muita sede de sexo, o que era bem natural, já que meus hormônios estavam em fúria nessa idade. Na minha pouquíssima experiência, eu achava que se eu passasse um pouco mais dos 10 minutos transando, não era mais ejaculação precoce. Sendo assim, ficava tudo sob controle, era só eu dar um jeito de não sentir tanto tesão e de acessar menos os meus sentimentos que a transa duraria mais.


Tentando controlar a ejaculação precoce

Como eu tinha “consciência” da minha ejaculação precoce, durante o namoro eu conseguia me controlar melhor e tinham vezes que o sexo durava 10 minutos! E deu, ora, isso já era o bastante! Eu queria transar sempre que podia, já minha namorada, nem tanto… Começamos o namoro transando 5 vezes por semana, depois 3 vezes, depois, de vez em quando, 2 vezes. Isso porque eu insistia muito. Por mim eu transaria todos os dias, 5 vezes por dia! Então quando não transava, eu me masturbava todo o dia. Minha namorada não gostava de transar tanto quanto eu, talvez porque, na real, as transas não duravam tanto, aqueles seguros 10 minutinhos no máximo, e eu seguia achando que não era ejaculação precoce.

Eu chupava ela o máximo de tempo que podia, era como ela sentia mais prazer e eu também me sentia mais validado com esse prazer dela. Eu tinha noção que não era o suficiente pra ela, mas seguia fazendo assim, acho até que por não saber como fazer diferente. Eu tinha muita vergonha de conversar sobre isso com minha namorada.

Um belo dia, um casal de amigos nossos puxou o assunto sobre sexualidade, falando do tempo da transa e tal. Eu me senti muito mal, diminuído e defendi que o tempo que a gente transava era o suficiente, que só às vezes durava pouco.  Até que um deles me interrompeu e falou – “Olha, fiquei sabendo que a transa de vocês podia ser um pouco mais longa!” Nossa, fiquei sem saber onde me enfiar. Neguei!, nunca iria admitir que tinha ejaculação precoce. Disse que não sabia do que ela estava falando, que não sabia o que minha namorada tinha dito pra ela, mas as coisas não eram bem assim! Mudei logo de assunto e dei um jeito de sair dali o mais rápido. Nunca mais toquei no assunto, nunca falei com minha parceira sobre isso, mas tinha ficado claro que ela tinha pedido ajuda pra eles…

Depois disso, fiquei me puxando para o sexo durar cada vez mais, até porque não queria que as pessoas soubessem que eu tinha ejaculação precoce. O jeito como eu conseguia fazer isso era sentido cada vez menos, controlando meu corpo e ficando na cabeça pra não perder o “foco”. Na hora “H” eu pensava em qualquer outra coisa, menos na transa. Me desconectava para durar mais, eu era muito duro, tenso pra caralho, minha pélvis era que nem uma pedra. Eu nem entendia muito isso, mas hoje sei que meu corpo era um bloco só, sem nenhuma fluidez ou espontaneidade. Se eu quisesse rebolar, teria que mexer toda a perna e dobrar o joelho. Toda minha região pélvica estava travada. Assim, qualquer coisa que eu sentisse ali era muito para mim, a tensão não deixava fluir energia nenhuma e não tinha jeito de transar muito tempo, muito menos sentir prazer. Com qualquer mínimo prazer, eu já gozava. Se a mulher estivesse por cima então, já era! Uma acelerada, uma rebolada mais forte logo tudo acabava, eu já estava roncando.

Me acostumei com essa merda e logo parei de tentar melhorar minhas transas. O tempo foi passando e minha namorada queria transar cada vez menos, até a gente passar a fazer sexo só uma vez por mês. O final do relacionamento foi óbvio, e lembro que falei para ela que estávamos terminando porque não transávamos, já que ela não gostava de transar. Sem a menor noção de que, com aquele tempo de transa, era impossível ela sentir algum prazer.

 

Anestesiando o corpo

Depois disso, voltei a sair com outras mulheres, Já era mais fácil transar nessa época e comecei a ficar com outras pessoas. Igual, eu estava sempre morrendo de medo de chegar em alguém. O único jeito de me aproximar de uma mulher era bebendo… depois de bêbado, anestesiado, a transa durava mais e já não achava que era ejaculação precoce. Eu não entendia que durava porque eu estava bêbado e que, por isso, sentia bem menos. Ficava, digamos assim, “mais relaxado”, mas esse relaxamento era falso. Como estava bêbado, não tinha muita noção do tempo que durava a transa, mas com certeza era mais de 10 minutos.

Essa foi a solução que achei: beber, deixar o corpo e mente dormente, sentir menos. Se eu transasse uma vez sem beber, já era: o tempo despencava para 5 minutos, no máximo. Nesse época, me acostumei de novo e, toda vez que ia transar, bebia ou fumava maconha. Se eu fosse pego desprevenido, sem ter tomado nada ou até fumado e aparecesse um encontro, era certo que não duraria os meus tão sonhados 20 minutos. Eu estava longe de me satisfazer sexualmente, mas era o que tinha no momento. Minha esperança era que, com o tempo, a ejaculação precoce diminuísse. Que eu relaxasse mais. Eu ainda era muito ansioso.


Tensões: as causas da ejaculação precoce

Bem, um dia me falaram que soltando a pélvis e relaxando, a transa duraria mais tempo. Duvidei. Na minha cabeça, não fazia sentido: toda vez que me solto que sinto mais prazer, me acontece o contrário, menos tempo eu duro transando. Ainda assim comecei a me observar, a notar mais meu corpo. Percebi que eu era um bloco só, principalmente a região pélvica. Na verdade, eram dois blocos: o da cintura para baixo e o outro da cintura para cima. Dois blocos de pura tensão.

Experimentei meditar: minha dureza era tanta que fazer uma meditação Kundalini, que é uma meditação bem simples, e que justamente mexe com nossa energia sexual e solta a pélvis, era muito difícil para mim. Ainda assim, ela já me ajudava bastante. Fui meditando mais e sentindo todas essas dificuldades. Fui indo mais e vendo resultado nas minhas transas. De prazer e de tempo. Fiquei mais atento ao que acontecia com meu corpo, comecei a tomar mais consciência e perceber como eu tensionava na hora em que eu ia ejacular. Ficava todo duro, trancava respiração e, acabava tensionando mais ainda. Aprendi que soltando som na hora da transa, algo que nunca tinha feito até então, me ajudava muito a relaxar e a soltar essas tensões. O sexo foi durando mais – e eu, sentindo muito mais prazer.

Ali, eu saquei como toda minha luta na adolescência e começo da vida adulta em controlar meu corpo, anestesiar para não sentir tanto, tensionar cada vez mais para não me soltar, para não expressar, prender a respiração, só pioravam muito as coisas… Quanto mais eu fazia isso, mais o fantasma da ejaculação precoce me perseguia.

Relaxar sexualmente e sentir mais prazer era algo novo para mim. Não me cabia dentro, muito menos fazia sentido. A realidade me mostrou outra coisa: que nós homens somos criados para desempenhar um papel de macho alfa, de controlador, de quem não sente e não pode demonstrar nossos sentimentos. Dentro dessa sociedade, muitos de nós crescemos com a crença de que homem tem que saber tudo, principalmente se o assunto é sexo. Temos que saber fazer sexo. Dúvida, inseguranças? Não rola. “Homem não é assim!”

Essa forma de “ser homem”, pelo menos para mim, só aumentava minha tensão. Me comparava com todos os homens à minha volta e me sentia menos do que todos eles. Tentei me sentir melhor de inúmeras maneiras: com status, malhando muito pra ficar musculoso, sendo um rato de academia. Tudo era falso e vazio.


Soluções: efeito da bioenergética no corpo

A bioenergética me fez soltar a pélvis, sentir mais meu corpo, me ajudou a lidar com minhas questões emocionais. Sim, porque as tensões do corpo estão ligadas aos nossos sentimentos. Foi isso que me fez relaxar, sentir mais e a começar a entender meu corpo melhor. O que eu sentia, como eu sentia e como lidava com meus sentimentos. A bioenergética me trouxe para a minha realidade. Sabendo qual era a minha realidade, pude mudar o que não estava bom para mim. Passei a enxergar meu corpo, a expressar sentimentos e ser mais natural.

Hoje, sei que a ejaculação precoce é resultado de muita tensão que carregamos no corpo. Tu tens que te abrir para lidar com isso! Qualquer coisa artificial que tu uses para diminuir essa tensão é mais um paliativo, não resolve a raiz do problema. Eu sei que tem camisinhas que retardam a ejaculação, por exemplo. Basicamente, elas têm um gel anestésico que te faz sentir menos tesão e que “evitar” a ejaculação precoce, mas também te deixando com menos prazer e menos satisfação sexual. Isso te serve?

Sentir menos é um paliativo que te custa o não contato real e amoroso com tua parceira, a não plenitude sexual, o não sentir orgasmos realmente preenchedores.  A melhor forma de resolver a ejaculação precoce é poder lidar com tuas emoções e tensões, descobrir qual é a raiz delas. Por trás dessas tensões existem muitos medos e sentimentos reprimidos, que, se tu resolver encarar, vai relaxar a tua vida, relaxar teu corpo e te abrir para uma vida sexual mais saudável  e feliz.

Hoje, honestamente, considero que menos de meia hora de transa ainda é ejaculação precoce. Se duro menos de meia hora transando, sei que tem alguma coisa que não resolvi, algum sentimento que guardei, sei que não estou bem. Minha energia sexual é imensa porque é parte da minha vida, do meu corpo. E é possível lidar com isso. Agora, eu resolvo essas questões meditando, falando com meus amigos, fazendo terapia bioenergética, olhando para dentro de mim – porque a resposta sempre estará dentro, sentindo e sentindo meu corpo. Inclusive quando vem a ejaculação precoce.

por Dhirendra

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *