O Peso da Gordura nas Emoções

Tempo de leitura: 5 minutos

Por Savita

 

Conhecendo meus limites

Quando eu entrei no Namastê eu tinha vivido pouquíssimo minha sexualidade, poucos namorados, poucos amores, comecei a transar super tarde e o sexo era muito ligado à culpa, raras vezes era relaxado. Eu achava que prazer e dor eram sinônimos, muito masoquista, além disso, gozava rápido. Eu ia no forró, tomava umas tequilas, dava uns beijos e me achava moderna, independente, dona do meu prazer. Meu último namoro tinha acabado em 2012 e nos dois anos seguintes eu transei muito bêbada duas vezes. Eu estava com 84kg e 31 anos, sexo só existia na minha cabeça e nos sites que eu olhava pra me masturbar de vez em quando. Eu não fazia qualquer relação entre meu peso, os chocolates que eu comia toda noite e minha falta de tesão.

Minha primeira questão na terapia era resgatar meu corpo, parar de me “atrolhar” e sentir qualquer coisa além de dor. Eu não conseguia fazer muitos movimentos, correr, dançar solta. Nem manter os braços pra cima durante a Meditação Dinâmica eu conseguia, de tão pesada e dura que eu estava. Eu não tinha coragem de chegar em nenhum cara, eu não era atraente, tinha mil grilos com o meu corpo e se eu sentia atração por alguém, eu não demonstrava de forma alguma. Meu primeiro passo, foi passar alguns meses sem comer chocolate. Em dois meses, com Bioenergética e meditação AUM semanais, eu perdi três quilos.

Na minha primeira Maratona de Autoconhecimento, outras questões surgiram e para conseguir fazer o Pai e Mãe, eu precisava perder muito peso. Comecei uma dieta e no primeiro mês foram embora 7 quilos. Minhas roupas começaram a ficar muito folgadas e levei várias peças à costureira para apertar! Nas minhas fotos, meu sorriso foi aparecendo cada vez mais. Depois de anos, ouvi o primeiro “fiu fiu” na rua voltando pra casa depois do trabalho e me senti muito bem.

Mudei para uma segunda dieta, mais equilibrada e fazia Meditação dinâmica várias manhãs até começar um ciclo de 21 dias. Minha rotina mudou muito, eu estava 100% dedicada a mim. Fui a 2ª vez na costureira apertar algumas roupas de novo. Decidi fazer um brechó com outras peças que estavam muito grandes e não correspondiam mais ao que eu era.

Uma nova fase

Depois de 7 meses de terapia, depois do Pai e Mãe, eu estava com 62kg. Foram muitas emoções reprimidas que vieram para fora e me permitiram sentir amor, amizade e, finalmente, tesão novamente. Eu comecei a transar mais, me arriscar, ir além dos meus medos e várias questões apareceram: meu desespero pelos homens, minha carência, minha falta de amor próprio… Eu me experimentei com amigos, com desconhecidos e tive todo tipo de resultado: senti muito prazer; não curti o cara e fui embora; transei em lugar público, vivi um amor de fim de semana na serra…

Em escala menor do que antes da terapia, meu peso flutuava um pouco dependendo dos meus sentimentos. Eu fazia exercícios, comia menos, ainda havia uma capa de gordura que me mantinha levemente gordinha, bonitinha, mas que não me permitia aprofundar minha sexualidade e amar. Demorou até eu lembrar o momento do passado quando eu tinha desistido do amor, e de mim, para virar essa questão.

Teve épocas que fazia exercícios diariamente, ficava mais leve, mais bonita, menos “embotada”, rolava de sentir mais, transar mais e sair da minha casca. Quando me envolvi um pouco mais com algum cara, senti mais prazer, consegui me entregar mais e ir mais fundo.

Quando tocou meu coração

O amor aconteceu de verdade, quando eu me incomodei profundamente com minha apatia, falta de confiança em mim e no meu poder. Eu comecei a levar a nutricionista a sério, me sentia muito incomodada com as minhas 1200 calorias diárias, aceitei ajuda para me arrumar e ficar mais bonita e estava afim de fazer diferente.

De repente, eu me apaixonei, comecei a viver um amor depois de anos com medo de me envolver. Eu passei a transar 3 vezes por semana, estava mais feliz e a minha armadura foi se desmanchando. Minhas transas se tornaram mais longas, mais suaves, eu conseguia olhar para o meu parceiro, rir, me divertir e chorar. Teve uma transa que me veio um sentimento novo, eu não sabia o que fazer, me deu medo, naquela noite eu parei e chorei, assim mais espaço se abriu no meu peito. Outra noite, quando esse medo de me entregar e perder a cabeça veio, eu continuei e senti ainda mais prazer. Depois de um longo processo de transas, preenchimento e amor, cheguei aos tão desejados 60kg. Perder peso não era mais o foco e sim, manter o meu amor.

Hoje eu conheço mais o corpo, o meu prazer, consigo me conectar mais com meu parceiro e ser mais profunda. Consigo transar sem descarregar, mantenho a minha energia. Quanto mais eu transo, mais tesão eu sinto. Manter o peso é somente um sinal visível de como está o meu amor próprio. Quando eu estou feliz, preenchida, amando, me permitindo ser amada e transando, eu não preciso de açúcar extra. Não há desculpas para abafar tesão, raiva ou dor. Cada vez que eu me responsabilizo pelo meu corpo, a minha criança interior relaxa e para de pedir por mais comida. Eu tomo atitudes adultas, paro de reclamar do universo e lido com dificuldades reais, não aquelas que eu crio para fugir da realidade.

Emagrecer aumenta minha auto-estima, me dá vontade de continuar, permite que minha beleza real apareça para os outros. Engordar só me mantém no buraco, desistente, fingindo que está tudo bem. Transar bem ajuda a emagrecer? Com certeza! É preciso muita entrega para que a minha beleza natural apareça.

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