Cândida, uma vilã da sexualidade feminina

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Milhares de mulheres já tiveram em algum momento da sua vida a famosa candidíase vaginal, a tal infecção causada pelo fungo Cândida que provoca coceira, vermelhidão e muito desconforto. O microorganismo causador da candidíase vaginal está presente o tempo inteiro dentro do organismo feminino. Então por que de uma hora para outra resolve atacá-lo? Já pensou em quais seriam as causas emocionais para a cândida?

Aquele desconforto na vagina te impede de quê? Qual a sensação que dá aquela coceira enlouquecedora? Sentir muito prazer numa relação sexual, sentir tesão por diversos homens, transar profundamente conectada com o parceiro, transar muito, expressar o que quer e gosta numa relação sexual e deixar o corpo fluir livremente mexe muito com o emocional das mulheres. Daí vem aquele desconforto, aquela sensação de querer se virar do avesso que impede de ter relações sexuais. Porque ter uma vida sexual prazerosa nos deixa muito culpadas. A culpa é a rainha da cândida!

A mulher cresce ouvindo do padre, da mãe, do pai, do vizinho, do tio, do cachorro, do papagaio, como deve agir e se comportar para ter um bom marido, de como deve ser recatada e disponível na cama. Mulher que gosta de transar é puta, mulher que transa no primeiro encontro é puta, mulher que fala alto, ri alto e se incomoda com as coisas é puta. Mulher que é mulher tem que ser uma boa esposa e transar como uma múmia.

A repressão e a frustração sexual levam a mulher a negar a tal ponto sua sexualidade que se exterioriza na incapacidade física de se relacionar, desenvolvendo assim a cândida. Cada mulher escolhe a sua melhor maneira de tratar a cândida. Umas buscam tratamentos naturais como alho, banhos de acento, alimentação natural. Outras correm ligeiramente aos tratamentos convencionais com comprimidos e cremes vaginais. O problema é que nenhum dos processos atua diretamente na causa da infecção e meses depois a cândida aparece novamente, quando não vem acompanhada de Gardenerella ou outros tipos de corrimento vaginal. O único tratamento que a mulher não procura é resolver as causas emocionais da cândida, que seria mexer profundamente na sua sexualidade.

Cândida – Causas emocionais? Claro que sim!

A repressão e a frustração sexual estão diretamente relacionadas à como a mulher vivencia sua sexualidade.

Assista este vídeo das terapeutas do Namastê comentando sobre a sexualidade feminina:

E seja por medo ou vergonha a maioria das mulheres não buscam soluções para seus problemas. Comumente se sentem culpadas, não dão devida importância a sua sexualidade ou se sentem obrigadas a estar disponíveis sexualmente o tempo todo para o homem. A origem disso é no nosso lar. Desde muito pequenas as mulheres são ensinadas a serem objetos para os homens. São estimuladas a esperar pelo príncipe encantado, não podem se masturbar, falar palavrão, não reclamar, ser amáveis e bem educadas e ao mesmo tempo sexualizadas para serem belas e atraentes para agradar os homens na cama. É uma lista de enorme de competências, do que tem que ser, de como deve ser, do que quer tentar não ser. De como agradar. Na cama, as dúvidas, os receios, os desejos, nada disso importa. Porque desde pequenas as mulheres são acostumadas a acreditar que a sua sexualidade e o próprio prazer não importam.  O resultado disso tudo é que a mulher acaba por viver uma sexualidade superficial, sem sentir o que gosta, sem permissão para ter prazer no sexo, se soltar, deixar fluir, reclamar seus desejos.

Com isso constroem uma imensa dificuldade de dizer não por comodismo ou medo de perder o parceiro. Vão acumulando mágoas e raiva que não são ditas. Vão reprimindo o tesão, somando frustrações sexuais e culpa por ter prazer sexual. Vem o medo de se entregar para um amor ou se envolver mais profundamente com um parceiro. Essas emoções acumuladas se manifestam no corpo físico através dessa irritação na vagina, o que faz a relação sexual ficar dolorida e com uma sensação de ardência intensa. Então a mulher não pode ter relações sexuais por “motivos que independem de sua vontade”. Aí vai parecer que é só um problema qualquer no corpo, uma doença que não tem nada a ver com a própria sexualidade. Aliviam o conflito externo e deixam a mulher constantemente com um desconforto físico, além do principal: sem poder transar. Quer saber se a cândida em uma mulher não tem causas emocionais? É claro que tem.

Quando a emoção é reprimida, ela se transforma numa doença. Quando a emoção é expressa, ela vira conflito e crescimento pessoal. É impossível ter uma vida sexual prazerosa, que te faça viver momentos profundos de amor se você não expressar suas emoções passadas e atuais.

Como tratar a cândida.

Como curar a cândida? Expressar suas emoções é o primeiro passo. Isso é muito importante! Para tratar a cândida você tem que mexer no seu emocional, nos seus preconceitos, na sua repressão desde a sua infância. Na sua raiva sexual. Encarar seus medos de frente. Quando condenamos a nossa sexualidade, condenamos a nós mesmas e vamos nos escondendo atrás de doenças como a cândida. A liberdade sexual é uma questão de saúde emocional e física.

A bioenergética faz com que a repressão ou a frustração sexual que está por trás da cândida venha para fora. Então não se trata de apenas querer acabar com os sintomas, quando eles já explodiram no teu corpo de tanto segurar. A bioenergética te faz ir na causa. E quer saber a maior delas? A raiva.

A expressão da raiva é muito negada às mulheres porque não tivemos esse atrito na infância, não fomos estimuladas para isso. A maioria das mulheres chora quando está extremamente incomodada com alguma situação. Se acostumou a acreditar que não tem raiva. Isso vale para a raiva de ter sido reprimida ou de ter sido violada. Para desmanchar isso, é necessário entrar nessas emoções que aprendemos a segurar, controlar e que travam toda a nossa sexualidade.

Na prática, a bioenergética trabalha com exercícios pélvicos junto com respiração intensa e profunda para soltar esses bloqueios e liberar as emoções. É um trabalho que vai na raiz. Quando você mexe com as causas emocionais, você desmancha as tensões que dão espaço pra cândida ser essa vilã. Você não se livra só de uma doença. Você começa a tomar as rédeas do seu corpo, da sua sexualidade e do seu prazer.

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